CAIO
- Omessa Revista
- 9 de mar.
- 3 min de leitura
Começando pelo princípio: como nasceu este projeto?
O nome CAIO surgiu, na verdade, a partir de uma das primeiras letras que escrevi para uma canção. A música chamava-se “Planeta Caio” e descrevia um planeta onde vivia apenas uma pessoa, levando uma vida muito solitária.
Depois de “Travessia”, surge agora “Ritmo da Procura”. Este novo disco também é, ele próprio, uma viagem?
Sim, sinto muito isso em relação aos meus discos. Acredito que todos fazem parte de um percurso contínuo e isso é algo que considero muito interessante. Sinto que existe uma grande evolução de disco para disco, mas, ao mesmo tempo, todos continuam a remar na mesma direção. Espero nunca ver um fim para este percurso.
O single “Queda Livre” saiu no ano passado, ao final de dois anos. O que é que aprendeste ao longo dessa “travessia”?
Aprendi bastante, na verdade. Sempre que termino um disco sinto imediatamente vontade de começar algo novo. O Travessia foi, para mim, um estudo sobre como fazer uma canção funcionar — e escrever canções exige realmente muito de nós. Para este novo disco quis aprofundar ainda mais o espaço da canção e trabalhar melhor os arranjos, deixar as canções um bocadinho mais limadas e com uma sonoridade mais experimental, no sentido de procurar outras formas de dizer alguma coisa. Ainda assim, sinto que tanto o Travessia como o Ritmo da Procura são discos muito focados no trabalho de arranjos. Foi sobretudo aí que mais aprendi: a ser objetivo em relação ao que quero fazer.”
O teu percurso denota uma crescente sofisticação musical e um amadurecimento do teu sentido lírico. Tens sentido isso, enquanto compões?
Sim, vem um pouco ligado à pergunta anterior. É uma aprendizagem contínua e sinto que, cada vez mais, tenho algum domínio sobre aquilo que procuro como resultado final.
Já tocaste no Super Bock em Stock ou em Paredes de Couro, num dos mais icónicos festivais portugueses. Que importância têm esses palcos no teu percurso? Sentes uma particular responsabilidade por isso?
Sinto que são pequenos sonhos realizados. Quero fazer muito mais e continuar a trabalhar para isso, mas já sinto uma grande satisfação e um verdadeiro sentido de conquista por ter feito esses concertos, assim como muitos outros ao longo do caminho.
Que papel tem Lisboa enquanto influência na tua música?
Na verdade, não muito — pelo menos de forma direta. É o sítio onde vivo e onde a vida acontece, mas nunca vi a cidade como uma fonte de inspiração no sentido poético para escrever sobre ela. Talvez possa vir a ser um bom tema para novas canções; nunca tinha pensado muito nisso.
Como é ser um artista independente em Portugal?
É difícil. Vivemos num meio praticamente transparente e pouco palpável, onde ainda existe pouca gente a circular e a demonstrar interesse em descobrir novos projetos — pelo menos quando comparado com o conjunto da população. Ainda assim, sinto que todos os anos este universo ganha um pouco mais de espaço, mesmo que às vezes seja muito pouco. Basta olhar para o reflexo das decisões políticas na área da cultura para perceber que, se não existisse uma comunidade de pessoas a insistir em fazer isto acontecer, talvez nem sequer se falasse de “artistas independentes”.
O que podemos esperar de ti nos próximos tempos?
Estou a explorar novas sonoridades e diferentes formas de criar canções. Espero lançar mais música e fazer mais concertos. No fundo, continuar esta viagem sempre em frente.


















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